Amnésia Crônica


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Amnésia Crônica

Quarta-feira, Março 01, 2006


DOM 26-02-06 - 4 da Matina

Ele: Olha, como faremos pra ir amanhã para o show lá na várzea ?

Ela: Não sei. Tou afim de ir. Mas ouvi dizer que lá é muito cheio de borabói.

[pausa]

Borabói ad e s.m:
fem boraguél
do Portoinglês. Bora boy

Cidadão ou Cidadã que aborda trausentes afim de furtar ou roubar; salteador. No recife, geralmente andam em grupos de cabelos pintados e costumam a atuar da seguinte maneira: "Borabói, passa a carteira, o celular, a camisa, a bermuda, o tênis, a meia, a cueca, o pensamento."


[fim da pausa]

Ele: É. Também não ouvi boa coisa de lá não. Mas eu não queria deixar de assitir

Ela: A gente pode assitir em Casa Amarela.

Ele: Casa Amarela também não tem boa fama.

Ela: A gente consulta o grupo e depois decide. - Ao consultar o grupo, constatamos que ninguém mais vai.

Casa Amarela ? Pronto. Casa Amarela. Ai, tou com Medo. Também, mas não quero saber, vamos.
A geral diz. "Rapaz, olha lá o que tu vai fazer. Lá não é seguro bláblábláblá."


TER 28-02-06 - 20 Minutos antes da aventura.

Ele: Tu vai assim ? Nããããão tem que ir desarrumada pra não chamar atenção.

Ela: Meu Deus! Como vai dessarumada? Assim tá bom?

Ele: Tá. E eu tou bem de Desarrumado ?

Ela faz cara de que sim. Fomos.

Chegando ao recinto chamado Pátio do Mercado de Casa Amarela percebemos que memso com todo esforço é em vão tentar competir eles. Tanto tempo pra montar um visú borabói e boraguél pra nada. E quer saber ? Não é naaaada do que a gente pensava. Casa Amarela tava muito mais seguro do que a suposta elite que seria o Carnaval do Recife antigo. Nada de multidão, empurra-empurra, nada de confusão. Todo mundo tava ali pra brincar e pular muito. E brincamos. E pulamos.

No palco Vanessa surge cantando "vem, eu sei que você tem vontade / Eu sei que você tem saudade de mim" A platéia altamente conectada a ponto de roubar a cena na hora da música Joãozinho. Nós, públicos, dominamos toda a música na primeira parte. E fizemos tão bonito que ela ficou surpresa. Ah! Era ela mesmo que eu tinha visto passar lá no Pré-AMP. A mesma que eu tinha visto num show a dois anos atrás aqui na cidade, só que com um repertório bem mais conhecido e um domínio do palco que MEU DEUS!

E Casa Amarela nunca mais será a mesma nos nossos corações. E sabe como foi na várzea? Quem foi disse que foi a coisa mais tranquila. Ninguém precisa me perguntar agora onde vou estar dia 25-03-06 21h, né ? Teatro da UFPE lógico!

Escrito em 1:23 AM.

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Terça-feira, Fevereiro 28, 2006


Papangu: Espécie de palhaço tradicional do carnaval de pernambuco.

SAIDEIRAS DE CARNAVAL
(Para ler ouvindo - Bicho Maluco beleza, Alceu Valença)

Recife, Terça-feira de carnaval de 2006. Fim de festa.

É foi tudo muito bonito, muita gente na rua, frevo, maracatu, ciranda, rock´n´roll, manguebeat. Também fantasia, poucas roupas e camisinha pra alguns felizardos. É mágico ver tantas gente na rua fazendo parte de tudo isso, "isso" leia-se comemoração, liberação, libertinagem e tradição. Quatro dia depois as cinzas da conhecida civilidade. Mas falemos de brincadeira, tradição. É tão lindo ver o galo e seus mais de um milhão de foliões, 60 mil pessoas lotando a praça do Marco Zero pra ver Lenine, é tão lindo ver Getúlio Cavalcante comandar da janela da casa de frevo um coro de centenas dos que passavam na rua do bom jesus. É lindo graças a tecnologia da televisão.

Sim, eu incentivo minha cultura. Mas estar no meio de um milhão de pessoas num sol escaldante não dá. Isso quando ainda não se acrescenta muitas ladeiras em olinda. A combinação Sol e Olinda não dá. Alguns diriam "dá pra beijar muito!". Tá, mas do jeito que a coisa está dá pra beijar muito o ano todo. Dá pra brincar carnaval bastante nas prévias, quando tudo tem o mínimo de civilidade. Me aventuro de vez em quando, só pra ver no que dá. Mas não é meu forte. Por enquanto esse quatro dias vou me arranjando num carnaval de mim mesmo. Escrevendo aos quilos, bagunçar e desbagunçar, estar com os amigos, conversinhas reveladoras e (porque não?) ir pra um show ou outro que me interesse.

E quarta-feira, tudo vira cinzas. A cidade também cansa, arrumamos nossas peças no tabuleiro do cotidiano. Alguns possivelmente perderam peças deste quebra-cabeça enquanto a cidade tremia. Mas dá pra rir e dizer: Brinquei bastante carnaval!

Coisas pra ver guardar neste carnaval.

1. Cervejas e conversas reveladoras com o chefe em sexta-feira vespera de carnaval. Nem gosto de cerveja, mas tudo por bons minutos de prosa. Ele é do tipo de pessoas que nos colocam boas idéias na cabeça. Se não fosse a cerveja, eu acho que até gostaria da boêmia.

2. Apresentar a nova decoração de carnaval pra Ítalo, meu amigo que vem brincar carnaval todos os anos (COM CERTEZA!, diria ele). Só faltou os nossos outros encontros darem certo. Foi culpa minha, eu sei. Mas que eu queria, queria.

3. O já citado Getúlio Cavalcanti comandando um coro de centena de vozes de várias gerações na rua do bom jesus. Ele chorou. Eu quase. "Arrupiou!"

4. Ter visto Vanessa da Mata de relance no pré-AMP. Enquanto a turma discutia é ou não é, ela olha pra trás, percebe a polêmica, dá um riso de quem curtiu a cena e sai andando como uma gata e desaparece um meio a multidão.

5. Naná Vasconcelos e 400 batuqueiros comandando nas ruas do Recife Antigo na abertura do carnaval.

Até,
p.s: O autor sabe brincar de batucar e frevar muito bem, segundo dizem.

Escrito em 9:01 PM.

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Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006




O ofício de um "ser" blogueiro
(Para ler ouvindo: Gilberto Gil - Pela Internet)

Tem gente que pensa que é fácil ter um blog. Eu te pergunto: é fácil? Se deixando levar pela propaganda é. Tem site explicando que dá pra fazer um blog em três passos. Então é fácil demais. Okey, seu blog está "pronto", certo? E agora? Aí é que o bicho pega, meu camarada. No popular: chegou a hora do pau comer!

Blog, vem da contração de web (página na internet) e log (registro de bordo), logo registro íntimo/pessoal na internet. É como se fosse um diário, só que é pra todo mundo ver. Então a coisa já muda de figura, porque você não revela totalmente o que você tem de segredo, suas impressões mais íntimas. No diário, a existencia do papel no plano da realidade, faz com que o autor tenha mais domínio do que escreveu. Na internet, o texto pode cair na mão de qualquer um. O autor de blog sabe disso como ninguém, por isso cria mecanismos para compartilhar seus segredos com quem bem entende (as entrelinhas de um texto pode contar coisas que a gente nem imagina). Cuidado! Não vá exagerar em segredinhos e intimidades. O leitor de fora quer se indentificar com aquilo que lê.

Outro assunto relevante é a disciplina. Blog sem atualização é blog abandonado. Como você quer que acessem teu blog se você não mantém uma comunicação constante com seu público-alvo? E deve ser por isso que a maioria dos blogueiros tem idade acima dos 25. Eu disse maioria, tem muito blog de gente nova que tá arrebentando. Mas essa juventude é muito inconstante mesmo, faz e depois deixa pra lá. Se propor a escrever para um público (supõe-se que o blogueiro deseja um público) exige, no mínimo disciplica ( pra não falar de talento, criatividade e outras cositas mais).

Você quer saber se já pode fazer seu blog agora? Ainda daria mais um toque. Você está numa mídia ( a internet) que é democrática. O seu ato de escrever para um público não precisa mais passar pelo crivo de uma editora. É você e seu público. Mas se todo mundo pode fazer isso. A concorrência é de autor para autor. Cabe a cada um, dar um melhor de si pra fazer um blog legal.

Agora você está livre pra criar seu blog. Divirta-se! E depois de algum tempo, se puder, volte a ler tudo aquilo que se escreveu pra ver como as coisas mudaram daquele tempo pra cá. Junto com a conquista de um público, eu diria que esse é um dos maiores prazeres da vida de um blogueiro.

Escrito em 1:53 AM.

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Terça-feira, Janeiro 17, 2006


Corespondência

Ele tava lá, posto em cima da mesa. E eu posto de pé com cara de sono. Era uma notícia boa pra um começo de manhã. Tão raro pros dias de hoje. Não falo de boas notícias, e sim dele. Escrito à mão em letras vermelhas num curto espaço. O carimbo indica que foi postado em 12 JAN 2006.

A felicidade vinda nesta manhã não foi só da mensagem. Seria bom se fosse um e-mail, um telefonema, uma mensagem no celular. Mas foi, infinitamente melhor, uma felicidade de cartão postal. Tão raros nos dias de hoje em que a mensagem se passa pelo computador. Naquele instante de manhã, sair daquela escrita formal de letras batidas, e me deparar com notícias escritas com tintas e manchas de caneta. É, quem diria, um prazer diferente. Coisas de século XXI.

Logo lembrei que eu nunca para andar algumas coisas e mandar alguma coisa pelo correio. Porque não? Certos hábitos que parecem esquecidos, ficam lá camisolentos e nauseabundos. Já está mais do que na hora de redescobrir certos prazeres.

Escrito em 9:43 PM.

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Quinta-feira, Janeiro 12, 2006


Meio Dia na Rua da Harmonia? Estarei lá.
(Para ler ouvindo: O CD Meio dia na Rua da Harmonia do Parafusas, lógico!)

- Tomara que a banda do seu amigo tenha tanto sucesso quanto a banda da sala do meu irmão, os R.E.M - diz-me ele sem tons de pretensão.

Bom, é claro que faz algumas décadas que a banda do Michael Stipe era da sala do irmão deste meu interlocutor na faculdade de Chicago. Ele lembra de ter chegado em casa uma fitinha k-7 com um ensaio da banda. Valeria uma fortuna nos dias de hoje, não? Se não fosse o fato de se pensar "É uma bandinha de faculdade, vamos gravar outra coisa por cima".

A banda do meu amigo em questão se chama Parafusa, um quarteto formado por Diogo (guitarra e vocal), Juliano (Piano e Teclado), Lucas (Bateria e Percussão) e Tiago (Baixo e vocal), que acaba de re-lançar o primeiro album "Meio dia na rua da harmonia" que agora será distribuido nacionalmente. A ocasião do lançamento deu-se na livraria cultura com um pocket show que lotou a casa. Logo depois de superar o nervosismo do palco, os meninos estavam plenos no canto, no som, nas apresentações e nos erros. Todo mundo muito a vontade. Pensei: Nossa que orgulho! Lembro de quando a banda tava só começando os ensaios, do lançamendo do primeiro EP (um show na frente do Museu de Arte Comtemporânea). Agora já tem CD distribuido pra todo o país, em breve videoclipe da faixa "Maria"!

Sim... mas alguém pode estar perguntando como é o som desta banda, né? Eles criam pop/rock com originalidade e influência de música popular brasileira.Nas letras, sempre alguma narrativa cotidiana tratada com bastante sensibilidade. Arranjos idem, aqui acolá referências a outros ritmos e canções. Algo, enfim, de novidade na cena pós-mangue da cidade do Recife. Pensando bem... em vez de ficar aqui me lendo, vai no site www.parafusa.com.br baixa as canções e seja o que deus quiser!

"Tomara que a banda do seu amigo tenha tanto sucesso quanto a banda da sala do meu irmão, os R.E.M". Tomara. Não custa nada sonhar. E mais do que nunca, acredito na proposta musical dos parafusas. Que eles continuem sempre `coisando´ com a gente. E só pra garantir, meu cd Demo e o "Meio dia da rua da harmonia" estarão muito bem guardadinhos. Não para caçar níqueis, mas pra alimentar a alma.

Escrito em 5:39 AM.

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Sábado, Dezembro 31, 2005

Um "leve desespero"

Sabe como português narra futebol? Lá vai, lá vai, lá vai, la vém, lá vem, lá vem, goooooool!
Pois é, lá se foi mais um ano e lá vem, lá vem, lá vem outro. Sol, calor, mar, piscina que em italiano se escreve picina, férias e muito miolo mole, pois esse ano é ano de eleição pra Presidente e eu quero ver só o que vamos aprontar.

Lá vem, lá vem, lá vem os mesmos... Os mesmos homens e mulheres, os mesmos programas, as mesmas propagandas e a mesma demonstração de que as pessoa pensam pouco, muito pouco. Basta uma frase com algum sentido, uma explicação racional pra todo mundo repetir. Como dizia Tim Maia: me dê motivo... E tá tudo bem. Fez sentido? Explicou? Então tá tudo bem. Depois eu digo que político não presta mesmo... e tá tuuudo bem. Eu vi a explicação na TV e repeti, minha parte eu fiz.

E por falar em voto, "votos de um prospero ano novo", ano novo tem cara de coisa antiga, já reparou? Antiga pois se repete: votos de esperança, de felicidade, de dinheiro, de saúde. Tudo pra no ano seguinte darmos mais votos disso e daquilo. Tem algo mórbido nisso tudo, no fundo sabemos que um dia isso vai acabar, isso quer dizer nossa vida; mas mesmo assim desejamos que o ano seja melhor. E se for o último ? Pior impossível. Mas mesmo assim a gente faz de conta que o fim não existe e fica desejando um onte de coisas pra si e pros outros. Eu desejo um onte de coisas pra mim e pros outros o ano todo.
?
E por falar em desejo e votos e ano novo e eleição. POrque é que você se acha tão inútil? Quem te fez acreditar que você não vale nada? Que nada vai muda rse depender de você? Se você acrdita em "votos de um prospero ano novo", se você dá e recebe, como é que alguém como você pode desejar tanto e poder tão pouco? Mistérios e Armadilhas.

Escrito em 11:26 PM.

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Quinta-feira, Dezembro 29, 2005

Para os que se alegram com a notícia, este não é o último post do ano.
Ainda tem mais um quentinho.
Ah! Mas eu não gosto deste blog, meu filho. Ora bolas! então não acessa, faz favor.

p.s: o texto novo tá aí em baixo. não se esqueça de ler.

Escrito em 1:38 PM.

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Mais que mil palavras ? Rá! Não creio...

Uma imagem vale mais do mil palavra. Ah é? Então transforme essa frase numa imagem! Se pedir pra você desenhar um "pão", você consegue? E se eu pedir pra você desenhar "longe" você consegue ? E "extremo", você consegue? "Consegue", você consegue ? Não né?

É, tá bom, mas e daí? Daí que estamos perdendo a nossa capacidade de pensar. E isso é ruim pois se não penso não escolho e então escolhem por mim. Vivemos num mundo de imagens, nós acreditamos na imagem e isso até faz sentido, pois, imagem é fato, aconteceu. (Exceto para Nelson Rodrigues, "O videotape é burro !"). Tá bom, só que se a palavra perde a força nossa capacidade de abstração e raciocínio também perde, afinal, o que é "longe", "extremo"se não símbolos de algo que entendemos ser.

Essas palavras implicam que eu pense sobre a realidade. O que é longe ? O que é extremo? Entendeu? Pois bem, com menos palavras e mais imagens mais idiota sou, menos entendo o que se passa e mais acreditam no que me mostram. Menos palavras tenho, menos raciocino, menos falo...

Tchau.

Escrito em 1:36 PM.

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Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Dois ponto Zero.

Não. Nem prozac, gardenal, nada disso. Pede pra que parem o mundo porque você precisa descer. Deixa lá: Contas de matemática, o curto orçamento, o atraso da amada, a topada do dedão. Respira... toma um copo d'agua, escreve uma carta (ou um e-mail, também pode ser), cortar o cabelo pode ser uma boa também. Visual novo é tudo. Entre uma coisa e outra, pense. Peça parada e volte pro seu mundinho corrido.

Sim. Nos acostumamos a correr na vida. De tanto correr esquecemos o gosto da água, do olho no olho, de usar a memória ("Fulano, você sabe qual a roupa que eu estava usando ontem?"). Nos acostumamos a correr e a achar que estamos atrasados.No mundo da tecnologia, os humanos também entra em curto e tem hora que é preciso agir com mais humano do que nunca. Que o fim do ano está chegando e que pouco se fez. Seja lá os motivos de não ter feito não adianta dar pití. Reinveste-se. Pega aquela lata velha que você chamava de objetivo e conceda-lhe um novo jeitão.

Desesperar não dá em nada. Mas é inevitável. Quando menos se espera, chega a tormenta. Invariavelmente muda tudo de lugar. Invariavelmente, o sujeito ganha uma nova versão.

Escrito em 4:18 PM.

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Sábado, Dezembro 10, 2005


(Para ler ouvindo: Parafusa - Michel)

Confissões para um analista - #1

Companheiro Wander estava certo. Realmente eu não consigo ser alegre o tempo inteiro. Nada de anormal nisso, qualquer um está sujeito a quando menos se espera... pá! Aconteceu... Motivo ? Sabe-se lá quais... garanto que não faltam. Pode ser aquela puxada de tapete, ou simplesmente porque o desfecho foi diferente do que era esperado. Dor de amor, desistímulo, trambicagem, frustração não importa. Eu tou falando daquele momento que às vezes sem nem saber explicar estamos andando meio jururu.

Deu no jornal um dia desses, estampado por um papai noel tristonho sentado em nuvens, que o natal desencadeia um sentimento de tristeza e reflexão nas pessoas. Bom, talvez pra muita gente isso não sirva pra nada. Mas para mim serve de aviso de que não sou o único. Talvez demore alguns anos entre terapia e auto-reflexão para poder explicar esse sentimento que abate essa gente de que falou o jornal.

Lembra das primeiras horas do 1 de janeiro quando a gente faz aquelas simpatias? Lembra todos aqueles objetivos que você promete a si próprio ? Lembra quantos deles você cumpriu até agora? Não, não lembre. É daí que surge o motivo pra estar fazendo este post.

Por isto ando assim. Nem zangado, nem histérico, nem puto da vida! Tô nocauteado, tô morrido!

Escrito em 12:22 PM.

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Sexta-feira, Novembro 25, 2005

(Interompemos o conteúdo deste blog, para o pronunciamento extraordinário do próprietário deste território virtual. Ele sabe muito bem que está desrespeitando o habitual formato do mesmo)


Joana, Eu, Manu e Lena (Carol faltou este dia)

Barba, Cerveja e Arte.

Estou escrevendo 24 horas após o evento onde aconteceu a exibição da primeira versão do documentário Barba, Cerveja e Arte . A exibição aconteceu na ocasião da re-edição do Arte na Barbearia, no número 444, onde morou Seu Isnar homenageado tanto do evento quanto do filme.
Mais importante do que estas informações, o que vale aqui são as impressões deste ser humano que vos fala, que com boa dose de sorte e uma força quase sobre humana se dispôs a tomar frente neste projeto.

Ê Mundão que dá voltas... eu nunca que poderia imaginar que de uma reportagem feita no ano passado, surgiria uma fonte de informações que praticamente me deu essa história pra contar. Marisa Reis, do Ateliê da Barbearia, tinha só um pequenino ateliê no início da Prudente de Moraes quando eu fiz uma reportagem sobre ele no Oxente on line. Daí, um ano depois, Marisa me telefona pra pedir ajuda na montagem de seu novo ateliê localizado nos 4 cantos de Olinda. Um point na cidade alta (área que congrega o sítio histórico de olinda, denominada assim, por conter inúmeras ladeiras), pricipalmente nos dias da folia de momo.

Daí que desse encontro me aparece a história de tal de "Arte na barbearia". Veja só, um barbeiro que em 1989 abre as portas de seu local de trabalho para uma exposição de arte. Arte exposta num local frequentado por gente que habitualmente não vai às galerias de arte. Este anfitrião, na verdade, é muito mais que isso. Seu Isnar, é uma figura folclórica que faz parte da memória da cidade de Olinda. Ele é multi-facetado... Barbeiro, oficial de justiça, carnavalesco (fundou o homem da meia-noite, tradicional bloco de rua), provedor da processão do nosso senhor dos passos).

Mais. Tudo que havia sobre "Arte na barbearia" era apenas os antigos convites, recortes de jornal. Ninguém nunca havia documentado esta história em vídeo. Não é todo dia que uma história dessas cai na sua mão, e ainda com a oportunidade de exibi-la para o público. No início tudo era medo. Meu primeiro projeto em vídeo... tantos processos pelos quais nunca havia passado.

Tudo partiu somente da vontade de contar esta história. Levei a história para o coordenador da faculdade. Ele incentivou, mas impôs que só tocaria o projeto se agregasse pessoas que já tivessem feito alguma disciplina de televisão. No início, pensei que ele estivesse botanto barreira. Mas que nada, ele iluminou meu caminho!(talvez até sem saber). Chamei Maria Helena, que chamou Carol Pacobahyba e Joana Perucci. Eu já havia chamado Manoella da minha turma pra ajudar. Com um pouco de sorte, acho que consegui montar a melhor equipe que poderia, que sem dúvidas nenhuma. Chamo de Melhor equipe do mundo!

Tudo que acontece daí por diante, saí de um trabalho coletivo feito com muito suor, piadas, ladeiras, imprevistos e , vale salientar, muito trabalho... uma receita que demoraria muito aqui pra explicar... CORRRTA, RESERVAAAAAAA (piada interna).

Da idealização até a exibição foram somente 3 semanas. Produção 7 dias. Tudo muito pouco para um documentário de 22 minutos. Ufa ! Canseira. Nesse processo... muita coisa se transformou em mim. Fiz novos contatos. E amizades que com certeza nunca se acabarão. Me tornei enfim, olindense de verdade, me incorporei a vida da cidade alta que fica a poucos metros da minha casa, mas que eu nunca soube das histórias(encantadores, se me permite o adjetivo) que ela tinha pra contar. Me arrisco a falar que no fazer jornalístico, esta é uma experiência muito rica... sair da sua casca, sua atmosfera, para construir algo que lhe enriquece, não apenas no currículum, mas também na alma.

Auto-crítica manda dizer que o vídeo não saiu tecnicamente perfeito. Mas estas pequenas falhinhas serão corrigidas na versão 2.0. O que importa é que me emocionei vendo aquele tanto de gente assistindo atentamente, rindo. Carros parando no meio da rua pra ouvir a história. Críticas, congratulações, e a sensação de dever cumprido (embora, repito, essa história não termine por aqui). Nada paga aquele nervoso de quando a grande hora se aproxima. Para todas as outras coisas, existe mastercard.

Trabalhei com uma equipe de quatro meninas. Para muitos, seria uma dureza. Mas pra mim foi u prazer quase que sexual.

Manu: O que seria de nós sem você na produção aperriando os entevsitados pra marcar a entrevista. Quem nos daria a versão feminina de "Seu Lunga".

Carol: Nonsense, é você né ? Espontaneidade, meu bem, espontaneidade. Gostei de você... total, total! Toda vez que tocar Sá grama, eu vou lembrar da sua dança a la Chicó.

Joana: Humor sarcástico rules! As vezes ela pode ser o abuso em pessoa. Mas também é doce de pessoa (eu sei que daqui vai sair alguma piadinha, né?). Marcou: O funk do pinóquio e o já famoso "Eu não fiz imagem?"

Lena: "Até uma múmia!". "Qual o coletivo de estrela do mar?". "Lena, relaxa o maxilar..". "Roger, autografa esse cd pro meu namorado.." "Eu tou fazendo este documentário só pra ficar famosa!" e o mais importante: "Isto é fruta?"... Preciso falar mais do que isso ?

A todos aqueles que contribuiram para reallização do documentário, Aquela força! *Erguendo as mão e batendo*

Escrito em 1:37 AM.

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Quarta-feira, Novembro 16, 2005


Dupla segunda-feira

Há quem não goste de segundas-feiras. Rotinas, trabalhos, preocupações, ressacas... enfim, motivos não faltam pra odiá-la. Até porque, para muitos, uma segunda-feira representa o dia em que você volta a fazer tudo aquilo que não gosta. Epa! Se não gosta e tá fazendo seria a hora de parar de resmungar e agir... a longo, a médio, ou a curto prazo, isso se decide a partir das necessidades de cada um.

Ódiar segundas-feiras... veja só que burrice. A vida tão curta... e perdê-la parceladamente a cada sete dias entre resmungos de preguiça e o olhar chato do patrão igualmente chato. Pra cima de Moraes, moreira ? Não rola mesmo. Segunda-feira nada mais é do que o resultado de um fim de semana. Se valeu a pena, está tudo bem. Se não foi tudo isso, eu tenho cinco dias pra fazer com o que o próximo seja.

Sim, mas hoje é quarta-feira. O que essa conversa tem a ver com o post de hoje? Simples: Quarta-feira pós-feriado, meu bem. É como se fosse duas "Segunda-feiras" na mesma semana.

Escrito em 12:42 PM.

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Segunda-feira, Novembro 07, 2005


(Para ler ouvindo: Elisa Lucinda - Mulata Tipo Exportação)

Branquinho, neguinho. Branco, negão.

Acho que falo pouco desse assunto. Mas uma coisa é certa: Devo ter mesmo nascido já com um pé na África. Ou no Brookylin. Ou em Havana. Ou na Rocinha. Quanto me fascina a história da cultura negra.

Sem segregação racial da cultura, claro. Hoje em dia eu não duvido nada que deva existir japonês mandando bem na Black Music...Uma certa Branquela britânica tem surpreendido, né? Ponto positivo pra globalização cultural, neste caso, óbvio.

Modismo culturais a parte. Consumo e me encanto com a música negra, tenho curiosidades sobre as religiões afro, acho que faz parte também da minha história. Não acho nada demais o carnaval da Bahia adotar algumas letras de umbanda (descobri que tem gente que acha isso um horror... enfim, a música se manifesta de acordo com as nossas intenções, acredito). E na literatura então ? tenho consumido uma bela mulata de olhos verdes que me alimenta minha alma como uma mãe cuidadosa. Elisa Lucinda, o que seria de mim sem você?

Música então, um parágrafo é pouco pra falar. Talvez um livro. Fazendo calculos 70% da minha coleção de discos tem influências da Black Music. Às vezes me pego a perguntar, Eu sou um neguinho enrustido da peste!

Agora me dão licensa porque, infelizmente, muitas senzalas sociais precisam ser abertas. Lerê, Lerê... Ê Brasil, esse relatório da ONU ora me confirma o pensamento, ao mesmo tempo que me espanta sobre esta triste verdade.

Escrito em 11:22 PM.

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Sábado, Outubro 22, 2005


(Para ler ouvindo: Nação Zumbi - Propaganda)

A alma do negócio é você

Tudo tem seu lado bom, seu lado mal, e seu lado mais ou menos. Não que eles tenham que ser iguais em proporção, mas existem. Demagogia e fanatismo... argh! São os baldes de água fria pra qualquer debate.

Nos últimos vinte dias o "sim" e o "não" nunca estiveram tão separados como uma birra de pirralhos. Diziam-me de um lado um moleque gordo, riquinho e resmungão "Se você ficar com o sim, vão te tirar um direito ! lute pelos seus direitos, olha a globo querendo manipular, olha o governo corrupto, blá,blá,blá"; do outro lado um alto e serelepe prometia maravilhas: "A violência vai diminuir, vai ter menos armas tio. Olhas só tem artista falando... A maioria das armas compradas pelo homens de bem caem nas mãos doa bandidos ".

Corro de fanáticos. Esse tipo de discussão não é comigo. Quando me vêm conversando de possibilidades, estudos comparativos baseados em dados reais. Porque vamos combinar, a televisão andou mais confundindo do que explicando, não é? Então me diga, minha senhora... Estamos realmente preparados pra o que vem amanhã? Acho que não. Quanto mais ignorante mais fácil de ser manipulado, e o que a televisão fez foi apenas isso. Fez o povo andar em círculos até ficarem tontos, achando que estão lúcidos, tolinhos... ou será que vítimas desses próprios poderosos que lhes roubaram os direitos humanos?

Como disse, tudo tem seu lado bom, seu lado mal e seu lado mais ou menos... me chateia tanto quando a publicidade vai pro lado mal em coisas tão importantes...

P.s: Se você está curioso em saber no que eu vou votar. Não faço mistério. Voto SIM. E o argumento é simples: Enquanto não inventarem uma parada que faça viver, eu sou contra tudo que faça matar.

Escrito em 5:32 PM.

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Quarta-feira, Outubro 19, 2005


(Para ler ouvindo: Max de Castro - Linha do Tempo)

No bus, bus, biiiip...

Queria eu só satisfazer a parte hedonista de meu ser. Mas como não dá, tento criar alguns prazeres nesta vidinha boa que deus me deu. O fato é: eu ando de ônibus. E como ando. Falar das deficiências do transporte público da cidade é fácil (ainda mais pra mim que sou praticamente expert), mas é conteúdo demais pra um post só. Então eu prefiro falar das leseiras que eu invento pra fazer o tempo passar mais rápido. Quem sabe descobrir alguém aqui faz o mesmo ou inventou outras.

Bem, eu já tentei aproveitar o ócio do ônibus com leitura. Apesar de ter conseguido adiantar grandes e urgentes leituras não aconselho. O saculejo do ônibus atrapalha, cansa a visão e, por vezes, dá sonolência. E todos já devem que dormir no risco é um sério risco pra perder o ponto. INTERROMPEMOS O CONTEÚDO DESSE BLOG PARA UMA ADVERTÊNCIA: A secretaria de defesa publica avisa que sentar nas janelas do fundão está mais propenso a sofrer assaltos. Se bem que hoje em dia é tanto faz, quando os "ômi" chega já "chega com tudo", e o que sobra? No ônibus quase nada, no bolso deles o que não é deles. Outra vez, roubaram um brinco de uma sinhá pela janela que não sei como não levaram as orelhas como brinde.

O que você pode fazer? Vou te responder com a mais pura sinceridade que eu posso oferecer (sentiu o clima pra alongar a frase e aumentar o suspense?).... Eu não sei! Posso dizer o que faço, mas não sei se sua cabecinha tem uma imaginação tão fértil quanto a minha. Primeiro, observa... se você deixar um pouquinho esse seu egoísmo de lado você vai perceber alguma história interessante, ou pelo menos uma realidade diferente da sua. Você pode observar alguém do ônibus contando uma história, alguém aí pode dizer que eu sou abelhudo. Mas se eu sou obrigado a andar de ônibus e alguém ta contando uma história interessante e em alto e bom som, o que eu posso fazer ?

Outra coisa "irada" é poder observar a cidade... nada é igual ao que estava ontem. Tudo mudou... O ser é outro, o dia é outro, a hora é outra, nada e ninguém é tão exato. No ônibus, eu estou lá, passo todo dia pelo mesmo lugar que nunca estive. E se estive foi só de passagem. Vamos tentar ver algo novo no já visto!!!

Agora, por favor, me dão licença que eu vou dar o sinal e descer no próximo ponto. Só espero que quando você andar de ônibus pense nisso.

Escrito em 7:03 PM.

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